<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><title>k42</title><description>k42</description><link>https://www.k42.pt/blog</link><item><title>The Old Lady of Threadneedle Street</title><description><![CDATA[O que nos trás aqui hoje é uma história rocambolesca determinante para a estruturação do sistema financeiro mundial tal como hoje o conhecemos.Estamos em Inglaterra do final do século XVII, uma época de fortes restrições financeiras, com um soberano a defender o seu trono das investidas e apoios de Luis XIV de França, do “Rei Sol”, autor da frase, "L’État cest moi"! e criador do não menos famoso e imponente Palácio de Versailles.Em plena guerra com França, a credibilidade de Guilherme III de<img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_ca774ed8634d43a7beb67c1f850174f0%7Emv2_d_14222_2875_s_2.png/v1/fill/w_671%2Ch_136/476df9_ca774ed8634d43a7beb67c1f850174f0%7Emv2_d_14222_2875_s_2.png"/>]]></description><dc:creator>Paulo Carreira da Silva</dc:creator><link>https://www.k42.pt/single-post/2016/07/21/The-Old-Lady-of-Threadneedle-Street</link><guid>https://www.k42.pt/single-post/2016/07/21/The-Old-Lady-of-Threadneedle-Street</guid><pubDate>Thu, 21 Jul 2016 16:58:49 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_ca774ed8634d43a7beb67c1f850174f0~mv2_d_14222_2875_s_2.png"/><div>O que nos trás aqui hoje é uma história rocambolesca determinante para a estruturação do sistema financeiro mundial tal como hoje o conhecemos.</div><div>Estamos em Inglaterra do final do século XVII, uma época de fortes restrições financeiras, com um soberano a defender o seu trono das investidas e apoios de Luis XIV de França, do “Rei Sol”, autor da frase, &quot;L’État cest moi&quot;! e criador do não menos famoso e imponente Palácio de Versailles.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_654f22828fb24dea9345c8e8fe251f19~mv2.jpg"/><div>Em plena guerra com França, a credibilidade de Guilherme III de Inglaterra e da monarquia que representava, estava particularmente debilitada, não conseguindo encontrar forma de financiar o esforço de guerra. </div><div>A solução encontrada foi, literalmente, vender o exclusivo da emissão de moeda a uma entidade privada, credível perante os credores e que garantisse os fundos necessários ao monarca. </div><div>E assim nasceu o Banco de Inglaterra, “The Old Lady of Threadneedle Street” e desta forma muito simplificada, a necessidade de um banco central independente. A solução teve tal sucesso que as £ 1.200.000 foram levantadas em 12 dias.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_1f68bd96b7a1487196b5842aec780c35~mv2.jpg"/><div>Se historicamente, parte significativa dos bancos centrais das principais economias mundiais mantiveram-se entidades privadas até muito recentemente, recordando-se que no caso português, o Banco de Portugal foi maioritariamente privado de 1846 a Setembro de 1974, facto é que em termos conceptuais a sua independência não é tema pacífico na comunidade científica. </div><div>O grau de independência das instituições, seu impacto na credibilidade da política monetária e na reputação das autoridades tem sido um tema recorrente. De uma independência de jure do FED à dependência estrutural do Banco Central do Japão há de tudo, desconhecendo-se conclusões definitivas quanto a este problemática.</div><div>Chegados aqui, numa Europa e num Portugal com uma Moeda Única, onde a emissão de moeda e a condução da política monetária e cambial está entregue ao Banco Central Europeu, que significado tem, realmente, a independência do Banco Central local? Fará sentido discutir esta temática, com base nestas assunções, tendo presente a “ausência&quot; destes poderes absolutos por parte dos bancos centrais da eurozone, vistos de forma individual?</div><div>Ou será que o tema em discussão é outro, mais relacionado com o “novo” papel dos Bancos Centrais, nomeadamente do Banco de Portugal enquanto Autoridade de Resolução, nos termos e atribuições definidas na recentemente aprovada União Bancária, como parece ser a intenção por detrás de recentes manifestações públicas que temos assistido? </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_f59659fc41554257b0f4b7caae490636~mv2.jpg"/><div>Aprofundando um pouco mais, será a nossa Old Lady a entidade melhor dotada para fazer face a resoluções bancárias actuais ou outras que eventualmente se avizinham, sem com isso beliscar a sua autoridade e credibilidade enquanto entidade reguladora e supervisora? </div><div>Estas são as questões que deveríamos tentar responder, temendo-se que a razoabilidade e bom senso sejam as primeiras vitimas decorrente da politização e fulanização de uma temática particularmente séria e atual.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>As Cidades somos nós</title><description><![CDATA[Desde que as populações humanas deixaram de ser recolectores-caçadores e se fixaram, que os agregados populacionais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da espécie humana na sua vertente social, política e económica. As cidades são a manifestação dessa realidade: as cidades somos nós, os habitantes que nelas vivem, se relacionam e se agrupam consoante os seus interesses, tendo em conta a morfologia e geografia de cada.A tendência para as populações se fixarem em cidades tem vindo<img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_57bd3872e1074d0cacbb1e521821fde0%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Bernardo Lisboa</dc:creator><link>https://www.k42.pt/single-post/2016/07/21/As-Cidades-somos-n%C3%B3s</link><guid>https://www.k42.pt/single-post/2016/07/21/As-Cidades-somos-n%C3%B3s</guid><pubDate>Thu, 21 Jul 2016 15:46:28 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_57bd3872e1074d0cacbb1e521821fde0~mv2.jpg"/><div>Desde que as populações humanas deixaram de ser recolectores-caçadores e se fixaram, que os agregados populacionais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da espécie humana na sua vertente social, política e económica. As cidades são a manifestação dessa realidade: as cidades somos nós, os habitantes que nelas vivem, se relacionam e se agrupam consoante os seus interesses, tendo em conta a morfologia e geografia de cada.</div><div>A tendência para as populações se fixarem em cidades tem vindo a aumentar ao longo da história, com uma aceleração crescente cada vez mais evidente desde a revolução industrial, ao ponto de ser uma das forças que vai continuar a moldar a sociedade e o planeta Terra nas próximas décadas. Em 1800 apenas 4% da população norte americana vivia em cidades. Actualmente esse número ronda os 80%. Estima-se que em 2050, cerca de 75% da população mundial viverá em cidades, quando em 2006 era de cerca de 50%. Para contextualizar, esta evolução significa que a nível mundial cerca de 1,2 milhões de pessoas por semana se transferem para uma cidade!</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_8f480ee3aa9343d28ed5d1b0e0600d13~mv2.jpg"/><div>As cidades são redes sociais complexas que apresentam características e propriedades semelhantes, independentemente da sua localização e morfologia. São extremamente resilientes e têm resistido a pandemias, assaltos e pilhagens, fogos devastadores, tremores de terra violentos como o de 1755 em Lisboa e mesmo a ataques nucleares. Roma, Londres, Paris, Istambul, Pequim, Xangai, Tóquio, todas existem há muitos séculos. Só mesmo quando há uma alteração radical do meio ambiente é que os seus habitantes as abandonam.</div><div>A razão desta resiliência reside no facto de as cidades funcionarem como “atractores” da criatividade, da inovação, da geração de riqueza – são responsáveis por 80% do GDP a nível mundial. No entanto, há o reverso da medalha porque as cidades também são as principais responsáveis pela poluição de terra, mar e ar, apresentam uma maior taxa de criminalidade, maior prevalência de doenças, etc. Também as cidades não escapam à segunda lei da termodinâmica!</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_94cc29fcecc44111a2d8b71be6020078~mv2.jpg"/><div>Exactamente por serem uma rede complexa, as cidades apresentam uma “matemática” própria, independentemente da cultura e raça de quem as habitam, da sua localização e do seu desenvolvimento relativo. Constata-se que duplicando a dimensão da cidade, mais que duplica em cerca de 15%, o rendimento, o nível de inovação, o número de pessoas criativas, o número de polícias, a taxa de criminalidade, o número de casos de doença, o nível de poluição, o número de bombas de abastecimento combustível, a rede viária, as redes eléctricas.</div><div>A importância das cidades e o seu crescimento a um ritmo acelerado, quer pelo aumento da sua população, quer pelo aparecimento de novas – a titulo de exemplo, estima-se que até 2050 surgirão na China cerca de 300 novas cidades com mais de 20 milhões de habitantes, faz delas um dos principais desafios que se colocam à humanidade nas próximas décadas mas também uma enorme oportunidade. As grandes cidades mundiais acabam por estender o seu grau de influência geográfica que vai muito para além do espaço físico que ocupam, criando regiões metropolitanas que englobam várias cidades e que eliminam as fronteiras políticas dos países. As conexões que estabelecem entre elas através de infra-estruturas físicas, como redes viárias, ferroviárias, oleodutos e de comunicações que suportam, respectivamente, o fluxo e pessoas, bens, energia e informação são um factor de estabilização política e de dissuasão de conflitos. Apesar dos arrufos entre a China e o Japão sobre as ilhas do sul da China, estes dois países asiáticos apresentam as relações económicas mais intensas de todo o sudoeste asiático e quanto maior o nível de conectividade entre eles mais têm a perder em caso e conflito.</div><div>Acresce que as cidades também têm revelado uma enorme capacidade de partilha de experiências entre si de forma a resolver os aspectos negativos como a poluição, a criminalidade, a gestão dos espaços verdes, com uma eficácia, flexibilidade e coordenação entre elas superior à dos Estados. Serão pois as cidades a base do crescimento económico ambientalmente sustentável e o garante dos equilíbrios estratégicos entre as nações tão necessário para que esse crescimento se materialize.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_ba230855db1a48e1816fc321c1b34716~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>O futuro das profissões e as profissões do futuro</title><description><![CDATA[A revolta dos "Luditas" ocorreu entre 1811 e 1816 no Reino Unido e resultou da reação dos trabalhadores têxteis em regime de prestação de serviços ao aparecimento das fábricas e dos novos equipamentos de tecelagem que puseram em causa os seus postos de trabalho. A reação foi violenta com a destruição de instalações, das máquinas, do assassinato de alguns proprietários e levou à necessidade de intervenção do exército inglês em número superior às tropas inglesas que na altura combatiam Napoleão na<img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_7b85228eaa1a4bf6adad0e707e11a065%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Bernardo Lisboa</dc:creator><link>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/29/O-futuro-das-profiss%C3%B5es-e-as-profiss%C3%B5es-do-futuro</link><guid>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/29/O-futuro-das-profiss%C3%B5es-e-as-profiss%C3%B5es-do-futuro</guid><pubDate>Tue, 28 Jun 2016 23:28:09 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_7b85228eaa1a4bf6adad0e707e11a065~mv2.jpg"/><div>A revolta dos &quot;Luditas&quot; ocorreu entre 1811 e 1816 no Reino Unido e resultou da reação dos trabalhadores têxteis em regime de prestação de serviços ao aparecimento das fábricas e dos novos equipamentos de tecelagem que puseram em causa os seus postos de trabalho. A reação foi violenta com a destruição de instalações, das máquinas, do assassinato de alguns proprietários e levou à necessidade de intervenção do exército inglês em número superior às tropas inglesas que na altura combatiam Napoleão na Península Ibérica. Actualmente o &quot;neo-ludismos&quot; é um movimento que congrega as pessoas que se opõem ao desenvolvimento tecnológico e industrial.</div><div>A preocupação pelo impacto do desenvolvimento tecnológico na destruição dos postos de trabalho tem sido permanente: foi evidente nas Revoluções Industriais e torna-se evidente agora, na idade da digitalização exponencial. O recente protesto dos taxistas relativamente às tecnologias digitais, materializado na Uber, é um exemplo do efeito disruptivo no mercado de trabalho, mas a verdade é que este fenômeno é já uma realidade em muitas profissões: nos aeroportos o &quot;checkin&quot; já é assegurado por máquinas, para não falar no &quot;checkin&quot; online feito no conforto das nossas casas, nas cadeias de restaurantes de &quot;fast food&quot; já é possível escolher o ménu, pagar utilizando um&quot;tablet&quot; e depois levantar a comida, ou basta ir a uma agência bancária para perceber que grande parte das funções de um Caixa são asseguradas por uma máquina.</div><div>Parece pois legítimo perguntar onde este processo nos levará: quais as profissões que mais serão impactadas e quais as competências que os trabalhadores deverão desenvolver para navegar no mercado de trabalho do século XXI? Segundo a consultora Mckinsey, 45% das actividades pagas executadas nos estados unidos são passíveis de automação com tecnologia já disponível actualmente e representam 2 triliões de dolares americanos de salários por ano (Mckinsey Quarterly 2016 Number 1 - Four fundamentals of workplace automation).</div><div>Se é verdade que numa primeira fase a automação afecta principalmente os trabalhadores que desempenham tarefas repetitivas e indiferenciadas, actualmente, fruto do desenvolvimento da inteligência artificial e tecnologias associadas, o seu efeito estende-se cada vez mais a profissões desempenhadas por trabalhadores especializados, como médicos, gestores de activos e jornalistas, para citar alguns. No entanto, mais do que a total automação das profissões, pelo menos no médio prazo, a tendência será de automação de algumas tarefas dentro de cada profissão, o que exige uma redefinição das mesmas e dos processos que as sustentam.</div><div>Mais do que a substituição do Homem pela máquina, será a interação entre ambos que permitirá aumentar a produtividade e criar riqueza. As organizações que melhor efectuarem esta transição serão aquelas que conseguirão reter os seus melhores trabalhadores. Dota-los das novas competências será a chave do sucesso.</div><div>Daniel Pink no seu livro &quot;Whole New Mind: why right brainers will rule the world/A Nova Inteligência - treinar o lado direito do cérebro é o novo caminho para o sucesso&quot; refere as aptidões que considera adequadas para assegurar o sucesso profissional e realização pessoal na era que designa de &quot;Idade Conceptual&quot;.</div><div>Estas aptidões apelam ao lado direito do cérebro onde se desenvolvem as capacidades de síntese, expressão emocional e contextualização e incluem: o Design - não é só a função mas também o design que cria uma ligação emocional com o produto ou serviço, a História - a essência da persuasão, comunicação e autoconhecimento passa pela construção de uma narrativa convincente, Sinfonia - ver a fotografia completa e ir para além do óbvio, por exemplo, desenvolvendo produtos e serviços que resultam de componentes já existentes mas que são combinadas de formas inovadoras, Empatia - que passa pela capacidade de abstração para nos pormos na &quot;pele&quot; do outro, sentir o que ele está a sentir e construir ligações de confiança, Diversão - pela evidencias dos benefícios para a saúde e desenvolvimento profissional do riso e bom humor e finalmente o Sentido - que dá um sentido e propósito à vida e que permite a realização pessoal de cada ser humano. Pode ver <a href="http://flv-vm.oprah.com/podcast/xm/ss/dp1/ss-vidPod_dp1.m4v">aqui</a> uma entrevista da Oprah Winfrey ao autor.</div><div>As profissões do futuro que estarão mais protegidas do impacto da automação são aquelas cujas funções e processos exigem uma elevada criatividade e capacidade de síntese, que, por exemplo, combinem a componente de diversão com a capacidade de criar uma boa história e promovam um ligação emocional com o produto ou serviço ou que impliquem o desenvolvimento de relações pessoais fortes, como na prestação de serviços na área da saúde.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>May you live in interesting times</title><description><![CDATA[A 6 de Junho de 1966, Robert Kennedy num discurso proferido na Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, referiu a existência de uma maldição, supostamente de origem chinesa, que se profetiza a terceiros, desejando-lhe “que vivas tempos interessantes”.“Queiramos ou não”, referiu Robert Kennedy em 1966, “vivemos atualmente tempos interessantes”!Acontecimentos como a ida do homem à lua, Maio de 68, A guerra do Vietnam, passando pela “falência” do modelo de Bretton Woods, as crises<img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_d8e9622209ac46ec8c4a94d73eeca8fe%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Paulo Carreira da Silva</dc:creator><link>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/06/May-you-live-in-interesting-times</link><guid>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/06/May-you-live-in-interesting-times</guid><pubDate>Mon, 27 Jun 2016 23:23:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_d8e9622209ac46ec8c4a94d73eeca8fe~mv2.jpg"/><div>A 6 de Junho de 1966, Robert Kennedy num discurso proferido na Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, referiu a existência de uma maldição, supostamente de origem chinesa, que se profetiza a terceiros, desejando-lhe “que vivas tempos interessantes”.</div><div>“Queiramos ou não”, referiu Robert Kennedy em 1966, “vivemos atualmente tempos interessantes”!</div><div>Acontecimentos como a ida do homem à lua, Maio de 68, A guerra do Vietnam, passando pela “falência” do modelo de Bretton Woods, as crises petrolíferas, foram, de facto, tempos realmente interessantes na sua dupla acepção.</div><div>Os anos sessenta e a viragem para os anos setenta, representaram o termo de um período de elevado desenvolvimento socioeconómico, traduzindo o culminar da reconstrução europeia e os anos dourados para o desenvolvimento das economias ocidentais.</div><div>As contradições internas da acumulação de capital constitui um dos conceitos centrais da Teoria das Crises, associada a modelos Marxistas e cujo fenómeno é também explicado pelas teorias neoclássicas, referindo-as como “Risco Sistémico”.</div><div>Nestas abordagens conceptuais, a política e a prática económica nunca resolvem os seus problemas de forma estrutural: transferem-nos para outras geografias criando soluções que serão a origem dos problemas das décadas seguintes.</div><div>Poderemos questionar se esta característica é exclusiva do modelo capitalista ou advém da própria condição humana, não obstante, o início da década de setenta representa um período de forte estagnação económica, de congelamento salarial, de falência do modelo de desenvolvimento assente no pleno emprego e no modelo industrial pós Segunda Guerra.</div><div>De facto verificou-se na Europa e no mundo ocidental, nesta época, um período de redução significativa da competitividade das suas economias com repercussões graves a nível político-social.</div><div>A solução para esta crise económica que se viveu até meados da década de oitenta, refletiu, premonitoriamente, o previsto nas análises conceptuais referidas, traduzindo-se na “offshorização” da produção, através da deslocalização da indústria para países em vias de desenvolvimento e aumento artificial dos salários e do poder de compra das economias ocidentais, através do crescimento exponencial do crédito.</div><div>Esta explicação muito simplificada reflete aquilo que assistimos na época Thatcher-Reagan e posteriormente, amplificado com a desregulamentação dos mercados financeiros, justificando com particular acuidade o poder atual das instituições financeiras no quadro político mundial, fenómeno também referido no século XIX.</div><div>Como se não bastasse, o previsto nas teorias económicas citadas não nos é nada favorável pois, segundo Marx, secundado pelos neoclássicos, estas tendências simultâneas e interligadas, de queda dos salários (competitividade das economias) e de aumento da dívida, levam a uma cascata de incumprimentos “credit defaults”, culminando numa falha das instituições, traduzindo o referido “risco sistémico” dos neoclássicos.</div><div>As teorias referidas e a prática político-económica resolvem estas crises exportando-as para outras geografias, limitando os danos aos seus concidadãos, retirando algum sentido às manifestações dos vários indignados nas ricas economias ocidentais mas colocando uma enorme pressão nas frágeis economias e nos cidadãos de outras geografias, menos preparadas.</div><div>A crise ou os “tempos interessantes” que se vivem atualmente encontram assim explicação na forma como saímos da crise anterior fornecendo indicações preciosas sobre como vamos entrar na crise seguinte, dando um sentido profético às palavras de Robert Kennedy.</div><div>PS: Dois anos mais tarde, em 1968, nesse mesmo dia 6 de Junho, Robert Kennedy viria a falecer vítima de um atentado, encerrando um período particularmente negro da política americana.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Já ouviu falar de um país chamado Poyais?</title><description><![CDATA[Provavelmente não porque este país nunca existiu realmente, mas só no papel. Em 1820 Londres ultrapassou Amesterdão como principal centro financeiro europeu. As guerras napoleónicas tinham terminado, as necessidades de financiamento do tesouro inglês reduziram-se e a correspondente taxa de juro ajustou para níveis de 3.3%. A economia estava pujante, com os investidores cheios de liquidez e há procura de alternativas de investimento que oferecessem maiores rentabilidades. Os países da América<img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_ff8c36f668064b6ab6b981cd981fb9e5%7Emv2.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_376/476df9_ff8c36f668064b6ab6b981cd981fb9e5%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Bernardo Lisboa</dc:creator><link>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/24/J%C3%A1-ouviu-falar-de-um-pa%C3%ADs-chamado-Poyais</link><guid>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/24/J%C3%A1-ouviu-falar-de-um-pa%C3%ADs-chamado-Poyais</guid><pubDate>Fri, 24 Jun 2016 14:51:18 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_ff8c36f668064b6ab6b981cd981fb9e5~mv2.jpg"/><div>Provavelmente não porque este país nunca existiu realmente, mas só no papel. Em 1820 Londres ultrapassou Amesterdão como principal centro financeiro europeu. </div><div>As guerras napoleónicas tinham terminado, as necessidades de financiamento do tesouro inglês reduziram-se e a correspondente taxa de juro ajustou para níveis de 3.3%. A economia estava pujante, com os investidores cheios de liquidez e há procura de alternativas de investimento que oferecessem maiores rentabilidades. </div><div>Os países da América latina tinham-se tornado independentes da coroa espanhola, precisavam de financiar o seu crescimento e utilizaram o centro financeiro londrino para colocar títulos oferecendo rentabilidades de cerca de 6%. Parecia um bom investimento, fundado na convicção de que o Reino Unido suportaria financeiramente as antigas colónias espanholas, na exacta medida em que tinha apoiado a sua independência. </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_b7aaa56852e140268e7703728868fb72~mv2.png"/><div>O problema é que a América Latina ficava longe, a informação sobre estes países era escassa, nomeadamente sobre a sua capacidade de cobrar impostos para fazer face às suas obrigações futuras, e os investidores não procuraram, ou não conseguiram aprofundar, o seu conhecimento sobre esta realidade. </div><div>O escocês Gregor MacGregor aproveitou então para vender obrigações soberanas de um país fictício chamado Poyais. A euforia deste período terminou quando a Espanha ameaçou incumprir na sua dívida soberana, alguns países latino americanos emitentes incumpriram e ficou claro que o Reino Unido não os apoiaria financeiramente. </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_14e8c3cee3944eb4afc4c00279b6b324~mv2.jpg"/><div> No final de 1825 mais de 10% dos bancos ingleses e galeses tinham fechado as suas portas, principalmente os de menor dimensão. A reacção do regulador foi promover a criação de bancos de maior dimensão e que culminou na realidade actual em que quatro bancos ingleses detêm cerca de 75% dos depósitos, e não num maior grau de exigência na disponibilização de informação sobre os activos financeiros e na necessidade de maior diligência por parte dos investidores em obterem a informação e aferirem os riscos dos activo onde estavam investir as suas poupanças. </div><div>Actualmente as entidades que intervêm no sector financeiro, desde os reguladores às instituições financeiras e aos emitentes, reconhecem a importância de disponibilizar aos investidores a informação adequada para que eles possam melhor decidir onde investir, tendo em conta o seu perfil de risco. </div><div>Este tema tem ganho especial relevância nos últimos anos e traduz-se, entre outros, na identificação pelos comercializadores de produtos financeiros, nas respectivas fichas de produtos, da maior ou menor complexidade dos mesmo, identificando os riscos de mercado, de capital, de crédito, de liquidez assim como de potenciais conflitos de interesse. No entanto, mais informação “per si”, sendo condição necessária não é seguramente condição suficiente. Importa que os seus destinatários a compreendam e ajustem o seu comportamento em conformidade. Vem este comentário a propósito da importância da literacia financeira e dos comportamentos financeiros para a correcta tomada de decisão dos investidores. </div><div>O INFE – International Network of Financial Education da OCDE divulgou o seu relatório para a Europa sobre as tendências em matéria de formação financeira assim como os resultados preliminares de um inquérito à literacia financeira realizado em 2015 abrangendo 20 países europeus. Portugal ficou acima a média ou em linha nas questões relacionadas com os conhecimentos financeiros e quanto ao comportamento financeiro, ficou acima da media Europeia em 9 das 12 questões. </div><div>Sendo um bom resultado em termos relativo, há ainda um longo caminho a percorrer pelas diversas entidades que atuam no sector financeiro e pelos próprios investidores para que seja promovido o conhecimento e o investimento consciente.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Annus Mirabilis</title><description><![CDATA[O mercado imobiliário em Portugal, nesta primeira metade de 2015, traduz uma realidade única no panorama económico nacional.Em todos os segmentos do Mercado imobiliário, quase sem exceção, assistem-se a records de vendas em volume e em valor de transações e em alguns casos, de subida de preços para níveis surpreendentes.A título meramente indicativo, conta-se à boca pequena que foram transacionadas lojas por valor superior a 20.000€ por metro quadrado na zona do Chiado, constituindo um valor<img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_c777879541c145b4b6bbcd9bb33cda7e%7Emv2_d_1920_1285_s_2.jpg/v1/fill/w_456%2Ch_305/476df9_c777879541c145b4b6bbcd9bb33cda7e%7Emv2_d_1920_1285_s_2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Paulo Carreira da Silva</dc:creator><link>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/24/Annus-Mirabilis</link><guid>https://www.k42.pt/single-post/2016/06/24/Annus-Mirabilis</guid><pubDate>Fri, 24 Jun 2016 14:02:30 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_c777879541c145b4b6bbcd9bb33cda7e~mv2_d_1920_1285_s_2.jpg"/><div>O mercado imobiliário em Portugal, nesta primeira metade de 2015, traduz uma realidade única no panorama económico nacional.</div><div>Em todos os segmentos do Mercado imobiliário, quase sem exceção, assistem-se a records de vendas em volume e em valor de transações e em alguns casos, de subida de preços para níveis surpreendentes.</div><div>A título meramente indicativo, conta-se à boca pequena que foram transacionadas lojas por valor superior a 20.000€ por metro quadrado na zona do Chiado, constituindo um valor impensável há um ano atrás.</div><div>No eixo Av. da Liberdade - Chiado assiste-se à venda de prédios para reabilitação por valores superiores a 2.500€ por metro quadrado de construção e à venda de apartamentos a valores superiores a 7.000€ por metro quadrado.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/476df9_b03f19f6aae54fc6be93bde632189477~mv2.jpg"/><div>Estes exemplos, embora restritos a áreas geográficas específicas, traduzem, contudo, uma recuperação do sector que é tanto mais significativa quanto sabemos do impacto da crise económico-financeira e das dívidas públicas, que assolaram as economias europeias desde o início da década e as suas repercussões em Portugal.</div><div>De notar que a crise imobiliária teve múltiplas origens sendo que, aliado à quebra do investimento público e à ausência de financiamento por parte das entidades bancárias, verificou-se a entrada de produto imobiliário sem qualquer controlo nem limite, injetado por um sector bancário em crise, provocando ainda mais dificuldades num sector de atividade, anteriormente responsável por mais de 5% do PIB nacional.</div><div>Por outro lado, as opções públicas também não foram totalmente favoráveis ao sector, pois, em alguns casos, “subscreveram” a visão imediatista de uma banca em agonia, permitindo a situação referida, agravando a desvalorização acentuada dos imóveis, afectando toda uma população cujas poupanças foram canalizadas para a habitação, fomentadas por décadas de apoios públicos e alocação de meios financeiros por parte do sector bancário, à aquisição de casa própria.</div><div>A adicionar, a crise do BES com o desfecho verificado em 2014, veio dar o “golpe de misericórdia” a toda uma geração de promotores imobiliários de dimensão relevante e que dominaram o sector durante os últimos 30 anos. Hoje são, sobretudo, os capitais estrangeiros ou a “pequena” poupança de investidores nacionais, vinda de outros sectores de atividade, que aproveitam esta deriva absolutamente determinante e necessária para a reabilitação urbana que se verifica em Lisboa e Porto.</div><div>O turismo de curta duração, os programas com vista a atracão do investimento direto estrangeiro através do vulgo “Golden Visa” e o regime fiscal para residentes não habituais, aliado à oportunidade de preço de alguns ativos e exotismo do destino turístico Portugal, são um dos motores do sector, nomeadamente no mercado imobiliário residencial.</div><div>O programa de “quantitative easing”, a redução das yields nos mercados obrigacionistas para valores historicamente baixos, a turbulência nos mercados de “commodities”, têm canalizado os investidores institucionais para os mercados de ações e de imobiliário de rendimento.</div><div>Este movimento tem sido de tal forma relevante em Portugal que o país tem sido um dos destinos de preferência de investidores institucionais internacionais e demais “yield searchers” sendo um dos mercados europeus com maior volume de investimento no primeiro semestre de 2015.</div><div>Considerando o já concretizado até junho com o “pipeline” previsto até ao final do ano, estima-se que 2015 seja o melhor ano de sempre no mercado de investimento.</div><div>Espera-se que esta procura venha absorver o produto imobiliário ainda na posse do sector bancário, contribuindo para a estabilização do mercado, fomentando o aparecimento de novos operadores, com capacidade e qualidade, permitindo a retirada da banca para atividades onde possa criar valor.</div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>